"NÃO TE APEGUES A MIM... LIBERTA O MESTRE QUE EXISTE EM TI..."
- 18 de out. de 2018
- 4 min de leitura
Esta é uma frase que vocês ouvem frequentemente, na nossa escola de Reiki.
Na obra “O Principezinho”, o autor Saint-Exupéry, oferece-nos uma passagem maravilhosa, que dá origem e está na génese desta nossa oração, que com todo o amor do mundo costumamos dizer aos nossos alunos;
“Não te apegues a mim…
Desperta o Mestre que existe em ti …”
Chegou o momento de a explicar, para que não restem duvidas do que queremos dizer-vos quando a dizemos.

—Eu amo-te —disse o Principezinho.
—Eu também te adoro —respondeu a rosa.
—Mas não é a mesma coisa.
Respondeu ele, e logo continuou,
— Adorar é tomar posse de algo, de alguém. É procurar nos outros o que preenche as expectativas pessoais de afecto, de companhia. Adorar é fazer nosso aquilo que não nos pertence, é apropriar-se ou desejar algo para nos completar, porque em algum momento reconhecemos que estamos carentes.
Adorar é esperar, é apegar-se às coisas e às pessoas a partir das nossas necessidades. Então, quando não temos reciprocidade, existe sofrimento. Quando o “bem” adorado não nos corresponde, sentimos-nos frustrados e decepcionados.
Se eu adoro alguém, eu tenho expectativas e espero algo. Se a outra pessoa não me dá o que eu espero, eu sofro. O problema é que há uma maior probabilidade de que a outra pessoa tenha outras motivações, pois somos todos muito diferentes. Cada ser humano é um universo.
Amar é desejar o melhor para o outro, mesmo quando as duas pessoas têm motivações bem diferentes. Amar é permitir que sejas feliz, quando o teu caminho é diferente do meu. É um sentimento altruísta que nasce ao te entregares, é dares-te por completo a partir do coração. Por isso, o amor nunca será causa de sofrimento.
Quando uma pessoa diz que já sofreu por amor, na verdade ela sofreu por adorar, não por amar. As pessoas sofrem pelo apego. Se alguém ama realmente, não pode sofrer, pois não espera nada do outro. Quando amamos, entregamos-nos sem pedir nada em troca, pelo simples e puro prazer de dar. Mas também é certo que essa entrega, este “se entregar” altruísta, só acontece no conhecimento.
Só podemos amar o que conhecemos, porque amar envolve saltar para o vazio, confiar a vida e a alma. E a alma não se indemenisa. E conhecer a si mesmo é justamente saber de si, das suas alegrias, da sua paz, mas também das suas raivas, das suas lutas, dos seus erros. Porque o amor transcende a raiva, o erro, e não é só para momentos de alegria.
Amar é a confiança plena de que aconteça o que acontecer, vais estar presente, não porque me devas alguma coisa, não por uma posse egoísta, e sim só por estar, numa companhia silenciosa. Amar é saber que o tempo, as tempestades e os meus invernos não mudam.
Amar é dar-te um lugar no meu coração para que fiques como parceiro, pai, mãe, irmão, filho, amigo, e saber que no teu há um lugar para mim. Dar amor não esgota o amor, pelo contrário, o aumenta. A maneira de retribuir tanto amor é abrir o coração e deixar-se ser amado.
—Agora entendo —contestou ela depois de uma longa pausa.
—É melhor viver isso —aconselhou-lhe o Principezinho.
Esta é a passagem do Principezinho que dá origem à nossa oração, aos votos que desejamos para cada de um dos nossos alunos. Em tempo algum, pode significar um adeus, um até mais ver…
Os Budistas, têm uma explicação relacionada com a diferença de que falávamos, entre o adorar e o amar, o apegar e o deixar livre por amor.
Os Budistas dizem que se passares por uma flor e se a adorares, arrancas essa flor para ficares com ela, mas se a amares, regas a flor todos os dias e cuidas delas, o melhor que podes e consegues.
Por isso abrimos o nosso espaço às segundas feiras, para todos vocês possam usufruir livremente das condições que criamos, por isso convidamos todos os nossos alunos, praticamente uma vez por mês para nos juntarmos, praticarmos uma arte e uma técnica que amamos e possamos juntos evoluir. A isto nós chamamos de regar e alimentar as flores que amamos.
Definitivamente quando amamos alguém, aceitamos tal como ela é, permanecemos ao seu lado e procuramos deixar dentro do seu coração pequenas caixinhas de felicidade e amor nos momentos em que estamos juntos, de preferência sem que se dê por ela, sem pedir nada em troca ou exigir amor em retorno.
Dai nascer esta nossa frase, dai nascer esta nossa oração que a dizemos principalmente quando fazemos a sintonização ou estamos em formação, precisamos todos de fazer diariamente um exercício interior e questionarmos-nos se estamos a fazer tudo certo, se estamos a demonstrar bem os nossos apegos e os nossos sentimentos, ou se pelo contrario, estamos a confundi-los com o desejo de colocar as nossas relações com grilhetas e apego ao outro, numa relação de troca obrigatória, ou ainda pior, se na espiritualidade que procuramos desenvolvera, o apego a um Guru que decide por nós o que fazer e como o fazer.
Com todo o amor do mundo e após esta explicação, vos desejamos…
Eu amo-te, tu ama-me … não te apegues, não me queiras teu… e desperta o Mestre que também tens em ti, ama-te profundamente, bebe o conhecimento mas tenta perceber se ressoa no teu coração. Não tenhas pressa caminha, caminha sempre nem que seja devagar, o importante é não parares.
sempre aqui para ti quando precisares, porque para nós, estaremos nósE nunca te esqueças, que Reiki é amor.


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