Os dois místicos
- 31 de jan. de 2018
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Tratavam-se de dois bons amigos, com inclinação para a mística.
Decidiram viver tranquilamente , dedicados à busca mística, e para isso adquiriram duas parcelas de terreno para onde poder retirar-se e meditar em paz. Um deles teve a ideia de plantar uma roseira para que lhe desse rosas, mas de seguida rejeitou tal propósito, pensando que as rosas lhe produziriam apego, o que lhe roubaria a paz interior.
O amigo teve a mesma ideia, plantou a roseira.
Passado algum tempo, a roseira floresceu e aquele que a tinha no seu terreno, desfrutou muito das formosas rosas, meditou através delas e assim elevou a sua consciência e sentiu-se unido com a Mãe Natureza.
As rosas ajudaram-no a evoluir espiritualmente e a despertar a sua sensibilidade, mas nunca sentiu apego pelas mesmas.
O seu amigo ficou a pensar na roseira e nas maravilhosas rosas, que lhe poderiam ter dado e de cuja contemplação e fragância tanto poderia ter gozado. Assim, apegou-se ao roseiral e às rosas da sua mente, ao contrário do seu amigo, criou laços e impedimentos mentais.
O sábio Bindu Ramana Maharshi declarava que a única coisa à qual há que renunciar é à ignorância da mente e ao sentido de posse. Não há apegos mais fortes que os dos sonhos, ilusões e fantasias.
O desapego é uma atitude mental. Consiste nessa visão cabal que nos permite ver com uma profundidade reveladora a transitoriedade de tudo o que é composto e não nos induz ao apego, mas ao desprendimento.


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