As duas rãs
- 20 de jan. de 2018
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Era uma rã que sempre tinha vivido no mar. Decidiu dar um passeio e de súbito, tropeçou e caiu num buraco fundo, no qual tinha nascido e vivido sempre outra rã.
A rã do estreito e mísero buraco perguntou à recém chegada:
- De onde vens?
- Do mar.
- É grande o mar?
- Oh, nem imaginas, amiga! o mar é imenso.
A rã do poço ficou pensativa por um instante e a seguir perguntou:
- É o mar tão grande como a minha casa?
- Não se pode comparar o mar com a tua casa. O mar é enorme, descomunal.
Então a rã do poço ficou fora de si, atacada pela ira e começou a bater na sua companheira enquanto gritava:
- Mentira, mentira! Não pode haver nada maior que a minha casa, nada! És uma grande mentirosa e agora mesmo vou expulsar-te daqui.
O ego inseguro ou exacerbado prende-nos a opiniões e pontos de vista estreitos. A visão turva-se, escurece-se e fica esclerótica. E a pessoa não pode ver para além do seu egocentrismo, não admite outros pareceres e quando se sente insegura, sente-se ameaçada e reage com ira ou violência e no pior dos casos, com crueldade.
Aferradas às suas opiniões, muitas pessoas carentes de uma mente livre, ampla e aberta às opiniões alheias, assim que se põem em causa as suas crenças e pontos de vista, reagem de forma auto-defenciva e ignorante, desencadeando as suas energias hostis e virulantentas.


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