Os Macacos
- 19 de jan. de 2018
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Tratava-se de um aspirante espiritual com muita motivação, mas cuja mente estava sempre dispersa. Ao ter noticias de um insigne mentor, não hesitou em viajar até onde ele vivia para lhe dizer:
- Respeitado Mestre, desculpe incomodá-lo, ficaria muito agradecido se pudesse procurar-me um tema d meditação, já que decidi retirar-me na floresta umas semanas para meditar sem trégua.
- Muito me compraz a tua decisão. Vai para a floresta e está contigo mesmo. Podes pensar em tudo aquilo que desejares, exceto em macacos. Leva o que quiseres à tua mente, mas não penses em macacos.
O discípulo sentiu-se muito contente e disse:
- Como se não houvesse mais coisas neste mundo em que pensar do que em macacos!
A verdade é que o Mestre pôs isto muito fácil. Não me podia ter dado uma tarefa mais simples de meditação. Pensou enquanto se retirava para uma frondosa floresta e preparou uma cabana na qual pudesse meditar. Passaram semanas e o aspirante pôs termo ao seu retiro. Regressou para junto do mestre e este, assim que o viu, perguntou-lhe:
- Como correu?
Desgostoso, o aspirante respondeu:
- Muito mal. Foi verdadeiramente esgotante, um desastre! tentei incansavelmente pensar em alguma coisa que não fossem macacos, mas os macacos iam e vinham na minha mente sem que o pudesse evitar. Na verdade, para lhe ser sincero, respeitado mestre, devo dizer-lhe que não fui capaz de pensar noutra coisa que não em macacos.
Assim é a mente: Rebelde, buliçosa, contraditória, anárquica e confusa. Mas pode treinar-se para ser mais disciplinada, controlada e prestável. Se ela nos controla, estamos perdidos. Mas se pudermos dominar os pensamentos, podemos transformá-la numa magnifica colaboradora. Urge aprender a conhecer e a saber dirigir a mente, exercitando-nos em sabermos pensar e não sendo tantas vezes pensados dominados pelo próprio pensamento.
A mente tem tendência a revoltar-se e gosta de brincar com a vigilância da vontade e de andar a vadiar.
Mas uma mente assim fica neurótica, fragmenta-se, perde eficácia e rouba a paz interior. Ao contrário, se conseguirmos uma mente mais controlada e bem encarrihada, evitaremos distrações inúteis, pondo-a ao serviço da harmonia psíquica. A mesma mente que nos divide, pode entregra-nos. O antigo adágio reza:
«Da mente partem dois caminhos, um conduz aos céus o outro ao paraíso»


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