Um Eremita na Corte
- 18 de jan. de 2018
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Na corte real, teve lugar um faustoso banquete.
Tudo havia sido disposto de tal maneira que cada pessoa tinha de se sentar à mesa de acordo com a sua classe.
Ainda não tinha chegado o monarca ao banquete, quando apareceu um eremita muito pobremente ataviado, que todos tomaram por um mendigo.
Sem vacilar um só instante, o recém chegado sentou-se no lugar de maior importância. Aquele comportamento insólito indignou o primeiro ministro que em tom grave lhe perguntou.
- Por acaso és um vizir?
- A minha classe é superior à do vizir - ripostou o eremita.
Por acaso és o primeiro ministro?
- A minha classe é superior à do primeiro ministro.
Enfurecido, o primeiro ministro inquiriu:
- Por acaso és o Rei?
- A minha classe é superior à do Rei.
- Por acaso és Deus? - perguntou mordazmente o primeiro ministro.
- A minha classe é superior à de Deus.
- Nada é superior a Deus! - berrou, fora de si, o primeiro ministro.
- Agora conheces a minha identidade. Esse nada, sou eu.
Tudo ou nada. Será que este tipo de juízos e preconceitos podem competir com o Absoluto? Mas a nudez do nada evita nomes e objetivos, cujo único propósito é tentar limitar o ilimitado ou reduzir o abstrato à lógica.


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