O Rajá
- 14 de jan. de 2018
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Era um jovem e aposto Rajá que contava com um grande harém de belíssimas mulheres. Por motivos de Estado, teve de desposar uma doce jovenzinha, de carinhosas palavras e amorosas maneiras. O rajá porém, nem seque reparava nela. Continuava a dirigir toda a atenção às mulheres do seu harém e mal dispunha de tempo para a sua própria esposa. Durante meses a jovem foi solicita, carinhosa e dedicada com o seu marido, mas todo o interesse e motivação do rajá se centrava no harém. Um amanhecer a jovem princesa fugiu, com o seu coração ferido. Quando deram a noticia ao rajá, este pensou para si.
- «Tanto melhor é da maneira que deixa de me aborrecer.»
Passaram-se uns dias e o rajá começou a sentir saudades da princesa e a evocar os seus olhos amendoados e expressivos, as suas nacaradas maças do rosto, os seus dentes cor de pérola e aqueles lábios perfeitamente desenhados e voluptuosos ... Quanto mais tempo passava mais lhe obcecava a lembrança da sua esposa. Deixou de visitar o harém e sumiu-se num estado de profundo desgosto e melancolia. Ordenou que se procurasse a sua amada princesa incansavelmente e ofereceu uma grande recompensa a quem lhe trouxesse notícias sobre o seu paradeiro. Pensava que ia enlouquecer, tinha tantas saudades!
Semanas depois, soube que a sua esposa estava na residência dos pais no campo. Veloz como o mais veloz dos raios, foi visitá-la.
Prostrou-se a seus pés e com lágrimas nos olhos, pediu-lhe desculpa.
- Oh amada, minha muito amada! Preciso de ti mais do que da minha própria alma, mais do que da minha vida, mais do que do meu ser.
A princesa perdoou-o. Os esposos viveram dias felizes e noites de paixão intensa. Mas pouco depois, o rajá começou a sentir saudades das concubinas do harém. Quantas lembranças, quantos encantamentos. Não era capaz de ultrapassar a sua nostalgia e transformou-se numa alma penada.
Em todo o momento apareciam na sua mente os rostos das suas ansiadas concubinas, tal era a sua desventura. Um dia, ainda mal tinha amanhecido, deixou uma carta renunciando às suas funções de Estado e abandonou a sua mulher. Fez-se eremita e decidiu dedicar-se a procurar a estabilidade da sua mente.
A mente é aflitivamente contraditória e não é fácil reorganiza-la e esclarecê-la. É bom aprender a encaminhar a mente e a controlar as suas inclinações. O cavaleiro leva o corcel ou o corcel leva o cavaleiro. A mente inimiga pode exercitar-se para se transformar em mente amiga. Uma mente dividida e que escapa a qualquer domínio é uma fonte de infelicidade.


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