A Gralha
- 11 de jan. de 2018
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Em certa ocasião, uma gralha apanhou um pedaço de alimento abandonado com o seu bico e alçou voo.
De repente, apercebeu-se de que um grande número de gralhas a seguiam com o propósito de de roubar o pedaço de carne. Sentiu-se gravemente ameaçada, tanto que temeu pela sua vida.
O que fazer numa situação destas? Largou o alimento e continuou a ascender.
Então, à distância, fundindo-se com a imensidão do firmamento, pôde ver como todas as gralhas se lançavam ao alimento, como o disputavam, lutavam entre elas e encontravam a morte, precipitando-se depois os seus corpos no vazio. Entretanto, livre e feliz, a gralha partia para a liberdade total.
A maior parte das pessoas tem uma grande dificuldade em saber largar.
Aprendemos a agarrar, até mesmo obsessivamente, mas não o largar, apesar do facto de termos de vir, no futura, a largar o nosso corpo.
O apego limita-nos, assassina a nossa essência e rouba-nos a liberdade interior. A via do apego é feia e mesquinha e deve ser contrabalançada com a do desapego e do desprendimento.
Há que renunciar ao sentimento. o ego é possessivo e voraz; o «eu verdadeiro» é como o espaço aberto, que não precisa de agarrar nem de ser agarrado.


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