Os dois amigos
- 9 de jan. de 2018
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Eram dois amigos inseparáveis.
Conheciam-se desde crianças e mantinham laços indestrutíveis de amizade e carinho.
Certo dia conheceram juntos uma bailarina. Que mulher aquela! Não só era amável como lindíssima e cativante.
Nunca tinham visto uns olhos tão expressivos e de uma tão apelativa cor de âmbar como os dela.
Chegaram numa caravana, quando os amigos a viram rodopiar à sua frente com a flexibilidade de um lírio e a energia de uma torrente, apaixonaram-se de imediato por aquela jovem fascinante.
Os dois amavam-na e estavam encatados com a jovem. Ela entrega-se a ambos com a mesma ternura e paixão. Passaram semanas e um dia, um dos amigos disse ao outro;
- Vivo atormentado pela ideia de um dia podermos ficar sem ela.
- Mais cedo ou mais tarde, todos ficaremos sem tudo aquilo que temos - repôs com serenidade o outro amigo.
Passaram-se meses. Os amigos mantinham uma relação perfeita com a sugestiva bailarina. Aos amanheceres sucediam-se os entardeceres. Numa luminosa manha estival, a mulher disse aos jovens, que recebera um telegrama a anunciar-lhe que tinha trabalho como bailarina noutro país e que devia partir para poder continuar a dançar para outras gentes.
Fundiu-se num abraço de despedida cálido e afetuoso com os jovens apaixonados.
Após a despedida, a bailarina partiu. Então, um dos amigos disse:
- Reparaste? Vivia atormentado porque um dia podíamos perdê-la e assim aconteceu. Agora estou verdadeiramente desolado. Que sentido tem a minha vida? Não, não conseguirei viver sem ela. E tu como te sentes?
O amigo respondeu com serenidade:
- Eu? Ótimo, muito bem.
- Mas como é possível? Acabas de perder uma mulher maravilhosa.
- Pensa um pouco comigo. Antes de ter aparecido na minha vida, eu sentia-me muito bem. Ela foi um belo presente do destino.
Veio e desfrutei-a intensamente a cada instante. Enquanto esteve cá, nem por um momento, um só que fosse, deixei de senti-la e vivê-la no mais profundo de mim. Ela partiu e eu continuo a estar como estava antes que ela chegasse, ou seja muito bem.
Bem estava antes que chegasse, bem enquanto ela esteve aqui e bem estou agora que partiu.
Se estou bem comigo mesmo, poderia ser de alguma outra maneira? O destino levou-a. E eu sinto-me muito bem.
Quando tivermos superado as carências emocionais e os nossos vazios de solidão e estivermos completos em nós mesmos, não criaremos laços de dependência e poderemos desfrutar intensamente da relação de afeto sem estarmos subjugados e ao mesmo tempo, sentindo-nos equilibrados e em harmonia.


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