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A Tartaruga e a Argola

  • 3 de jan. de 2018
  • 2 min de leitura

Era um sábio de tão avançada idade que na localidade onde vivia ninguém fazia ideia de quantos anos tinha.

Ele próprio já se tinha esquecido visto que, entre outras razões, já havia transcendido todo e qualquer apego e ambição humana. Transcendera mesmo a noção de tempo.

Um dia, sentado sob uma figueira, o olhar fundido com o horizonte e a mente quieta e limpa como um céu sem nuvens, ouviu uns passos ao longe. Dirigindo o olhar, pôde observar como um jovem punha uma corda à volta de um ramo e enlaçava uma das extremidades no pescoço.

Rapidamente percebeu as intenções do Jovem e apesar do seu frágil corpo, levantou-se de súbito e correu para onde estava o jovem, pedindo-lhe que desistisse do seu propósito.

-Não vejo razão para isso – disse secamente o jovem.

- Tens a eternidade pela frente, amigo, por isso ao menos concede-me dois minutos. Ouve-me.

- Se é só isso … - disse o jovem displicente.

Ancião e jovem sentaram-se no chão. Os olhos sossegados do velho cravaram-se nos olhos atormentados do rapaz. O céu tingira-se de laranja e ouro, e o sábio expressou-se da seguinte maneira.

-Vou pedir-te uma coisa rapaz. Imagina uma tartaruga, só uma, na imensidão do oceano e que esta tartaruga só vem á superfície para respirar uma vez num milhão de anos.

Agora imagina uma argola a flutuar sobre as águas do descomunal oceano. Ora bem, querido amigo, bem mais difícil do que a tartaruga introduzir a cabeça na argola quando a põe de fora a cada milhão de anos, é o teres obtido forma humana. E agora jovem procede como achares conveniente.

Ainda hoje contam os aldeões que aquele jovem chegou a velho e se tornou muito sábio.

À margem de se saber se a vida tem ou não um sentido último, o sentido, propósito e significado da existência é o que cada um sabe dar-lhe a cada momento. Olhamos para tão longe que não vemos o que temos ao lado. Cada instante conta e podemos enchê-lo de plenitude, podemos até aprender a elevar o rotineiro ao plano do sublime. Visto que todos fazemos parte deste mistério prodigioso (e por vezes, é certo, nos parece pavoroso), que é o da existência. Há que dar valor a cada momento para encontrar o seu próprio peso especifico e converte-lo num instrumento para a sua concretização.


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Jorge Viana
Seisei de Reiki

Sensei de Reiki, formado por João Magalhães, presidente da Associação Portuguesa de Reiki - Monte Kurama, com o número MFR0006APR;

Coordenador do Núcleo de Viana do Castelo da Associação Portuguesa de Reiki - Monte Kurama desde 2009;

Presidente e Fundador da Associação Methamorphys - Associação Portuguesa para o desenvolvimento Humano.

Mónica Maciel
Seisei de Reiki

Sensei de Reiki, formada por João Magalhães, presidente da Associação Portuguesa de Reiki - Monte Kurama, com o número MFR0007APR;

Coordenadora do Núcleo de Viana do Castelo da Associação Portuguesa de Reiki - Monte Kurama desde 2009;

Vice-Presidente e Fundadora da Associação Methamorphys - Associação Portuguesa para o desenvolvimento Humano.

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