A Chave da Felicidade.
- 2 de jan. de 2018
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Deus sentia-se muito só. Para superar a sua solidão tinha criado uns seres que lhe faziam companhia.
Mas esses seres sobrenaturais, encontraram a chave da felicidade e fundiram-se com o Divino, que voltou a ficar só e sumido no seu triste sentimento de solidão.
Reflectiu demoradamente. Era Deus mas não queria estar sozinho. Pensou que tinha chegado o momento de criar o ser humano, mas intuiu que este poderia encontrar a chave da felicidade, que descobriria o caminho até Ele e com Ele se fundiria.
Não, não queria ficar só outra vez. Perdurou no seu pensamento e perguntou-se onde poderia esconder a chave da felicidade para que o Homem não a pudesse encontrar.
Não era fácil. Primeiro pensou ocultá-la no fundo do oceano, depois numa caverna nos Himalaias, depois noutra galáxia. Mas estes lugares não o satisfaziam. Passou a noite em claro, perguntando-se onde seria o lugar mais seguro para esconder a chave da felicidade.
Sabia que o Ser Humano acabaria por descer ao fundo do Oceano e que a chave não estria segura ai. Também não estaria segura numa gruta dos Himalaias, porque mais tarde ou mais cedo o Homem escalaria aos cumes mais elevados e encontrá-la-ia.
Nem sequer estaria segura noutra galáxia, já que o Homem chegaria a explorar os vastos Universos.
Ao acordar, continuava a perguntar-se onde ocultá-la.
Quando o Sol começou a desvanecer a bruma matutina com os seus raios, ocorreu-lhe de repente um lugar no qual o Ser Humano nunca procuraria a chave da felicidade.
Resolveu então esconder dentro de si mesmo. Criou então o Ser Humano e no seu interior colocou a chave da felicidade.
Da mesma forma que o filho pródigo (parábola que aparece tanto nos ensinamentos de Buda como nos de Jesus, e que admite uma leitura não só literal, mas muito mais profunda e reveladora) que, no inicio, procura a felicidade fora de si, mas finalmente regressa ao lar (o lar interior) e reconciliasse com o Pai (o eu verdadeiro), é igualmente conveniente que tentemos melhorar a nossa qualidade de vida exterior, mas sem viver de costas voltadas para o nosso próprio ser e usando, também, os meios para melhorar a nossa qualidade devida psíquica, encontrando refugio dentro de nós mesmos. No exterior podemos encontrar prazer e dor, amor e desamor, encontro e desencontro, diversão e tédio, mas a felicidade permanente só pode ser encontrada dentro de cada um. E não há felicidade maior que a paz interior.


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