A Pomba e a Rosa
- 1 de jan. de 2018
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O Sol começava a despontar. Os primeiros raios rasgaram a escuridão da noite e com a
claridade do novo dia, uma pomba, que voava, entrou inadvertidamente num templo. Todas as paredes do santuário estavam cobertas com espelhos. No centro do santuário, em oferenda ao Absoluto, o sacerdote colocara uma belíssima rosa, que se refletia nos espelhos provocando inúmeras imagens de si mesma. A pomba, tomando os reflexos da rosa pela rosa verdadeira, começou a lançar-se contra um e outro espelho, chocando violentamente contra eles, incansavelmente, até que o seu pequeno e frágil corpo sucumbiu. Morta, a pomba tombou sobre a rosa.
Em qualquer ser humano encontra-se o real e o adquirido; o essencial e o aparente. A busca do bem-estar exterior deve ser associada e completada com a busca do bem-estar interior. Se uma pessoa puser toda a sua energia ao serviço da aparência, da imagem e da personalidade, consumirá a sua vida cativa dos reflexos e de costas viradas para a sua real natureza, ou essência. É preciso aprender a distinguir entre o acessório e o substancial mediante o discernimento correto, e ir recuperando esse «eu verdadeiro», diferente do «eu social». A rosa do conhecimento desponta dentro de nós mesmos.


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